{"id":148,"date":"2023-07-17T19:42:11","date_gmt":"2023-07-17T23:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/?page_id=148"},"modified":"2023-07-17T21:19:55","modified_gmt":"2023-07-18T01:19:55","slug":"contexto-historico","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/contexto-historico\/","title":{"rendered":"CONTEXTO HIST\u00d3RICO GLOBAL"},"content":{"rendered":"<h3>[slideshow_deploy id=&#8217;156&#8242;]<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A hist\u00f3ria mundial \u00e9 uma narrativa complexa e abrangente que abarca milhares de anos de desenvolvimento humano. Desde os prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 os tempos modernos, uma s\u00e9rie de eventos moldou o curso da humanidade. Na pr\u00e9-hist\u00f3ria, nossos ancestrais enfrentaram desafios e descobertas cruciais, eles aprenderam a usar ferramentas de pedra, dominaram o fogo e desenvolveram t\u00e9cnicas de ca\u00e7a e coleta. Com o tempo, surgiram as primeiras comunidades agr\u00edcolas, marcando o in\u00edcio da era neol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A Antiguidade testemunhou o surgimento de grandes civiliza\u00e7\u00f5es, como a Mesopot\u00e2mia, o Egito, a Gr\u00e9cia e o Imp\u00e9rio Romano. Essas sociedades deixaram um legado duradouro em \u00e1reas como pol\u00edtica, arte, filosofia e direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A Idade M\u00e9dia foi caracterizada por transforma\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas. A Europa foi abalada pelas invas\u00f5es b\u00e1rbaras, enquanto o feudalismo se estabeleceu como sistema dominante. As Cruzadas e o Renascimento Comercial desempenharam pap\u00e9is importantes nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A Era Moderna trouxe consigo uma nova era de explora\u00e7\u00e3o e descoberta. Os europeus expandiram seus horizontes por meio dos Descobrimentos, alcan\u00e7ando terras distantes e estabelecendo col\u00f4nias. A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, posteriormente, transformou radicalmente a sociedade com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e a urbaniza\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">O s\u00e9culo XVIII foi marcado pela expans\u00e3o europeia e pela constru\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial Inglesa, um processo que representou a ascens\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Portanto, a historiografia predominante do Brasil e em alguns outros pa\u00edses est\u00e1 centrada na hist\u00f3ria europeia, sendo uma pot\u00eancia dominante, marcada pela sucess\u00e3o de sistemas mundiais hegemonizados que se encontram apoiadas nos paradigmas econ\u00f4micos, sociais, pol\u00edticos e culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Na hist\u00f3ria das ci\u00eancias ocidentais, os s\u00e9culos XVIII e XIX s\u00e3o caracterizados pelo grande n\u00famero de expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, realizadas por v\u00e1rios pa\u00edses europeus, com o objetivo de reconhecimento territorial, humano, zool\u00f3gico, bot\u00e2nico e mineral.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Essa &#8220;globaliza\u00e7\u00e3o&#8221; que ocidentalizada ou europeizava o mundo trouxe o dom\u00ednio dos grandes espa\u00e7os, o que requer a quebra de barreiras geogr\u00e1ficas existentes no campo, levando os naturalistas da \u00e9poca ao planejamento de viagens cient\u00edficas de modo a coletar material para que os museus se tornassem os principais abrigos de esp\u00e9cies naturais de todo o mundo. Portugal tamb\u00e9m participou intensamente desse processo, despachando diversas expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas para suas col\u00f4nias na Am\u00e9rica e \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">No s\u00e9culo XX, o mundo testemunhou eventos de propor\u00e7\u00f5es sem precedentes. As duas Guerras Mundiais deixaram marcas profundas na hist\u00f3ria, causando enormes perdas humanas e redefinindo as fronteiras geopol\u00edticas. A Guerra Fria trouxe uma tens\u00e3o global entre o bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos e o bloco comunista liderado pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Hoje, vivemos em uma era de avan\u00e7os cient\u00edficos, tecnol\u00f3gicos e culturais r\u00e1pidos. A globaliza\u00e7\u00e3o conectou o mundo de maneiras inimagin\u00e1veis, criando interdepend\u00eancias econ\u00f4micas e culturais. No entanto, desafios como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, desigualdade e conflitos persistem e exigem solu\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A hist\u00f3ria mundial \u00e9 um relato fascinante de lutas, conquistas e transforma\u00e7\u00f5es (Fig. 1). Ela nos ensina sobre as complexidades e diversidades da experi\u00eancia humana, permitindo-nos compreender melhor o passado e moldar um futuro mais justo e sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">J\u00e1 a hist\u00f3ria do Brasil \u00e9 marcada por uma rica diversidade cultural e uma trajet\u00f3ria repleta de acontecimentos significativos. Desde os povos ind\u00edgenas que habitavam o territ\u00f3rio antes da chegada dos europeus at\u00e9 os desafios contempor\u00e2neos enfrentados pela na\u00e7\u00e3o, o Brasil passou por diferentes fases e transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">N\u00e3o se pode deixar de reconhecer que o nosso subcontinente quase n\u00e3o tem a\u00e7\u00e3o de presen\u00e7a no contexto mundial. Para o resto do mundo n\u00e3o temos hist\u00f3ria. Podemos, at\u00e9, sem erro, definir nossa aus\u00eancia como incomparavelmente maior do que a de quase todo o resto do mundo, somos um subcontinente desconhecido e sem voz no contexto internacional. Mesmo hoje em dia inegavelmente, nossos vizinhos marcam mais intensamente sua individualidade nacional do que toda a extens\u00e3o da Am\u00e9rica Latina. Nossa imagem pol\u00edtica, decididamente, n\u00e3o nos ajuda: somos conhecidos como uma regi\u00e3o que politicamente vive em sobressaltos, onde a instabilidade pol\u00edtica cr\u00f4nica retrata fielmente a falta de amadurecimento econ\u00f4mico e cultural do povo, como da elite. Em resumo, submetida a essa posi\u00e7\u00e3o r\u00edgida (que \u00e9, por excel\u00eancia, nega\u00e7\u00e3o da diplomacia s\u00e1bia), a Am\u00e9rica Latina civil, por muito tempo, condenada a uma posi\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica externa subserviente: falava o l\u00edder das Am\u00e9ricas, os latinos americanos formavam o couro. Posi\u00e7\u00e3o que, por si pr\u00f3pria, destinava a Am\u00e9rica Latina ser apenas uma sombra em escala diplom\u00e1tica, escondia os demais a presen\u00e7a dos nossos pa\u00edses no palco internacional. (ARY GUIMAR\u00c3ES, 1990, p.22)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil teve in\u00edcio em 1500, quando a expedi\u00e7\u00e3o liderada por Pedro \u00c1lvares Cabral chegou \u00e0s terras brasileiras. Durante os primeiros anos, o pa\u00eds foi explorado pelos portugueses, que exploravam os recursos naturais, como o pau-brasil, e estabeleciam os primeiros assentamentos. Essa fase colonial foi seguida por ciclos de minera\u00e7\u00e3o, especialmente no s\u00e9culo XVIII, com o ouro sendo descoberto em Minas Gerais. E \u00e9 nesse per\u00edodo da hist\u00f3ria que o Forte Nossa Senhora dos Prazeres do Iguatemi, objeto de estudo deste trabalho, foi constru\u00eddo (Fig. 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Em 1808, a chegada da fam\u00edlia real portuguesa ao Brasil, fugindo das invas\u00f5es napole\u00f4nicas, marcou um momento de mudan\u00e7a. A col\u00f4nia foi elevada ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e v\u00e1rias reformas foram implementadas, incluindo a abertura dos portos \u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Ap\u00f3s anos de movimentos e lutas pela independ\u00eancia, o Brasil finalmente se tornou uma na\u00e7\u00e3o independente em 1822, com a proclama\u00e7\u00e3o de Dom Pedro I como Imperador do Brasil. O per\u00edodo imperial foi marcado por conflitos pol\u00edticos e sociais, al\u00e9m da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o em 1888.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Em 1889, ocorreu a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, estabelecendo um novo sistema pol\u00edtico. O Brasil enfrentou desafios como a industrializa\u00e7\u00e3o, urbaniza\u00e7\u00e3o e movimentos sociais ao longo do s\u00e9culo XX. O pa\u00eds passou por diferentes regimes pol\u00edticos, incluindo a ditadura militar que durou de 1964 a 1985. A hist\u00f3ria do Brasil \u00e9 um cont\u00ednuo processo de constru\u00e7\u00e3o e busca por uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\">Contexto Ib\u00e9rico<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">No final do s\u00e9culo XV, os territ\u00f3rios da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica apresentavam a divis\u00e3o representada na (Fig. 3), na qual o Reino de Portugal j\u00e1 tinha a mesma configura\u00e7\u00e3o territorial atual, mas o territ\u00f3rio atualmente reconhecido como pertencente \u00e0 Espanha era, na \u00e9poca, dividido entre a Coroa de Castela (em amarelo na imagem), que comandava diversos reinos; o Reino de Navarra; e a Coroa de Arag\u00e3o, tamb\u00e9m subdividida em diversos reinos.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\">Portugal<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">As ilhas Can\u00e1rias j\u00e1 eram conhecidas devido a tentativas anteriores de coloniza\u00e7\u00e3o por variadas coroas quando, em 1336, D. Afonso IV de Portugal patrocinou uma expedi\u00e7\u00e3o e iniciou as reivindica\u00e7\u00f5es ao Papa pelo direito de conquista do arquip\u00e9lago. O monarca portugu\u00eas acabou por aceitar a decis\u00e3o papal de conceder a concess\u00e3o das referidas ilhas em feudo e a t\u00edtulo de principado a D. Lu\u00eds de la Cerda em 1344. (E SILVA, 2006).<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A pol\u00edtica de expans\u00e3o ultramarina de D. Jo\u00e3o I, rei de Portugal, inaugurou- se em 1415, com a expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade de Ceuta (Fig. 4), chamado de \u201co Algarve de al\u00e9m-mar\u201d (AB\u2019SABER, 2020, p.33), localizada pr\u00f3xima ao Estreito de Gibraltar e ent\u00e3o territ\u00f3rio do Reino de Fez e que<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">(&#8230;) dava aos portugueses a possibilidade de navegarem e praticarem o com\u00e9rcio com os pa\u00edses do Mar Interior, de ocuparem uma \u00e1rea territorial \u2013 a norte \u2013 de Marrocos e de controlarem a passagem entre os reinos mu\u00e7ulmanos de Granada e de Fez.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">Contexto dentro do qual, a quest\u00e3o das Can\u00e1rias adquire um maior significado, que passa pelo seu posicionamento geo-estrat\u00e9gico, entre Marrocos e a Guin\u00e9. E da\u00ed a insist\u00eancia dos portugueses em nelas se fixarem: a sua proximidade de \u00c1frica, a possibilidade de a\u00ed se poder comerciar e capturar cativos, bem como as condi\u00e7\u00f5es de apoio para a prossecu\u00e7\u00e3o das viagens para sul (em direc\u00e7\u00e3o aos rios da Guin\u00e9, serra Leoa, golfo da Mina e, mais tarde, na rota do Cabo), justificavam- no. Pelo menos at\u00e9 \u00e0 passagem do cabo Bojador. (E SILVA, 2006, p. 99)<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">O Reino de Portugal continuou sua expans\u00e3o, segundo Cartwright (2021), \u201ccolonizando os arquip\u00e9lagos desabitados do Atl\u00e2ntico Norte da Madeira em 1420, os A\u00e7ores em 1439, e Cabo Verde em 1462\u201d. Entretanto, segundo E Silva (2006) foi ao tentar novamente colonizar as Ilhas Can\u00e1rias, em 1424, sob iniciativa do Infante D. Henrique, filho do Rei D. Jo\u00e3o I de Portugal; onde os castelhanos j\u00e1 haviam se estabelecido, que a competi\u00e7\u00e3o colonialista se intensificou, tendo sido apresentadas as alega\u00e7\u00f5es castelhanas contra a conquista das Can\u00e1rias pelos portugueses no Conc\u00edlio de Basil\u00e9ia (1434-1435).<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">As viagens que ent\u00e3o se sucederam conduziram \u00e0 descoberta de algumas ilhas de Cabo Verde (1455-56), a que se seguiu um per\u00edodo mais calmo \u2013 \u00e0 morte do infante D. Henrique, em 1460, o ponto de chegada situava-se na Serra Leoa \u2013, uma vez que a monarquia se parece distanciar da pol\u00edtica atl\u00e2ntica.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">Todavia as ilhas Can\u00e1rias continuavam a apresentarem-se como um desafio, um objetivo a alcan\u00e7ar. Embora inseridas numa outra estrat\u00e9gia, a sua fun\u00e7\u00e3o de base de apoio na rota de navega\u00e7\u00e3o para a Guin\u00e9, surgia renovada de interesse. (E SILVA, 2006, p. 102)<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A disputa pelas Ilhas Can\u00e1rias e as tentativas de ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa no territ\u00f3rio ficaram em aberto e misturaram-se \u00e0s quest\u00f5es sucess\u00f3rias da Coroa de Castela e ter\u00e3o fechamento apenas na assinatura do Tratado de Alc\u00e1\u00e7ovas- Toledo em 1479-1480.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\">Espanha<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">Quando se deu o nascimento de Joana, em 28 de fevereiro de 1462 em Madrid, primeira e \u00fanica filha do rei D. Henrique IV de Castela e sua consorte a rainha D. Joana ap\u00f3s sete anos de casamento, e sua nomea\u00e7\u00e3o como Princesa de Ast\u00farias, opositores da Coroa utilizaram como arma pol\u00edtica a alega\u00e7\u00e3o de que a rec\u00e9m-nascida seria filha ileg\u00edtima, fruto de uma rela\u00e7\u00e3o extraconjugal da rainha com D. Beltr\u00e1n de la Cueva, um pajem de origem humilde e elevado a nobre por servi\u00e7os prestados \u00e0 Coroa. (COSTA, 2011)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Tais opositores recusaram jurar a rec\u00e9m nascida Joana como herdeira da Coroa, e propuseram a sucess\u00e3o para o meio-irm\u00e3o do rei, o Infante D. Afonso (nascido do casamento de D. Jo\u00e3o II com D. Isabel de Portugal).<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">Foi neste contexto, em que era hostilizado por uma parte importante da nobreza, a n\u00edvel interno, e atrav\u00e9s do bloco navarro-aragon\u00eas, a n\u00edvel externo, que D. Henrique IV procurou explorar diplomaticamente uma nova liga\u00e7\u00e3o a Portugal, eventualmente baseada noutros matrim\u00f3nios. (COSTA, 2011, p.47)<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Para selar a alian\u00e7a, em 1464, durante expedi\u00e7\u00e3o ao Marrocos, D. Henrique IV prometeu a m\u00e3o de sua meia-irm\u00e3 a Infanta D. Isabel ao rei de Portugal D. Afonso, e sua filha D. Joana ao Pr\u00edncipe de Portugal D. Jo\u00e3o, em troca de aux\u00edlio b\u00e9lico. Tais casamentos n\u00e3o foram concretizados devido a oposi\u00e7\u00f5es apresentadas pelo Conselho de D. Afonso, tendo em vista a \u201ccondi\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel do dito rei Dom Henrique\u201d, deposto em 15 de junho de 1465, em favor de D. Afonso de ent\u00e3o 12 anos, no que ficou conhecida por \u201cFarsa de \u00c1vila\u201d, seguida por outras revoltas em Toledo, Sevilha e C\u00f3rdova, levando o monarca deposto a iniciar uma intensa guerra civil. (COSTA, 2011)<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Com a morte por prov\u00e1vel envenenamento do Infante D. Afonso em 1468, alguns dos nobres sublevados sujeitam-se ao rei D. Henrique IV, enquanto outros decidem por apoiar D. Isabel. Esta, por\u00e9m, &#8220;deliberou n\u00e3o tomar o t\u00edtulo de rainha em vida do rei, seu irm\u00e3o, e concordar com ele, se, removendo todos os esc\u00e2ndalos, ele jurasse depois de seus dias a sucess\u00e3o do reino\u201d. Os termos de sucess\u00e3o inclu\u00edam tamb\u00e9m, al\u00e9m de vasto patrim\u00f4nio para D. Isabel, o div\u00f3rcio de D. Henrique IV e D. Joana, j\u00e1 que esta encontrava-se a mais de um ano distante e em fase de gravidez avan\u00e7ada,<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 10pt\"><em>(&#8230;) a qual, sabendo-se claramente n\u00e3o ter sido gerada pelo monarca, refor\u00e7ava a argumenta\u00e7\u00e3o dos partid\u00e1rios da infanta D. Isabel na defesa dos seus direitos sucess\u00f3rios e fragilizava a anterior posi\u00e7\u00e3o do rei que, no acordo com a irm\u00e3, punha em causa a sua paternidade sobre D. Joana. (COSTA, 2011, p. 51 apud SU\u00c1REZ FERN\u00c1NDEZ, 2008, p. 49)<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A decis\u00e3o acerca do casamento de D. Isabel ficou a cargo desta, cabendo ao irm\u00e3o o poder de veto ou aprova\u00e7\u00e3o de sua escolha (COSTA, 2011). Dentre os pretendentes que se apresentaram, dois possu\u00edam apoiadores na corte de Castela: por Arag\u00e3o, o pr\u00edncipe D. Fernando, filho de D. Jo\u00e3o II; e por Portugal, o pr\u00f3prio rei D. Afonso V.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 10pt\"><em>De um lado, colocava-se a hip\u00f3tese de liga\u00e7\u00e3o com Portugal, apostado no desbravamento do desconhecido Mar-Oceano, na ocupa\u00e7\u00e3o de pequenas ilhas atl\u00e2nticas e na conquista de pra\u00e7as em Marrocos; do outro, a hip\u00f3tese da uni\u00e3o a Arag\u00e3o, mais envolvido nos meandros da pol\u00edtica continental e orientado para o apetec\u00edvel Mediterr\u00e2neo (por onde passava ainda parte importante do com\u00e9rcio, inclusive o dos produtos orientais). (COSTA, 2011, p.52)<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A princesa optou pelo pr\u00edncipe D. Fernando de Arag\u00e3o, de idade mais pr\u00f3xima a sua e tamb\u00e9m<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"font-size: 10pt\">(&#8230;) a liga\u00e7\u00e3o aragonesa era desejada por uma expressiva parte dos nobres castelhanos, sanando com maior facilidade os conflitos internos, partindo do pressuposto de que o governo dos dois reinos seria pac\u00edfico e as condi\u00e7\u00f5es ficassem, desde logo, estipulado nas capitula\u00e7\u00f5es matrimoniais. Se, por ser mulher, houvesse qualquer contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua realeza, D. Isabel, tendo em D. Fernando o mais directo herdeiro ao trono castelhano (era, ent\u00e3o, o \u00fanico descendente por varonia de D. Henrique III), anulava com o casamento esta hipot\u00e9tica oposi\u00e7\u00e3o externa. (COSTA, 2011, p. 53)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Segundo Costa (2011), D. Henrique IV tentou manipular a meia-irm\u00e3 para que esta se casasse com D. Afonso V, entretanto, D. Isabel conseguiu tramar e executar o pr\u00f3prio casamento com o pretendente escolhido, D. Fernando de Arag\u00e3o, acabando por violar o acordo de Toros e a ter seu direito sucess\u00f3rio revogado pelo meio-irm\u00e3o, que restabeleceu a Infanta D. Joana como Princesa e casou-a com D. Afonso V. Desta forma, quando do falecimento de D. Henrique<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">IV no final de 1474, instalou-se uma Guerra de Sucess\u00e3o com fac\u00e7\u00f5es de apoiadores \u00e0s duas rainhas, tia e sobrinha.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\">Tratado de Alc\u00e1\u00e7ovas-Toledo (1479)<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">O tratado assinado em Alc\u00e1\u00e7ovas (Portugal, 1479) (Fig. 5) e retificado pelos reis de Castela e Arag\u00e3o em Toledo (Castela, 1780) findou a Guerra de Sucess\u00e3o de Castela, reconhecendo D. Isabel A Cat\u00f3lica como rainha. Tamb\u00e9m estabelece uma linha divis\u00f3ria entre as conquistas mar\u00edtimas dos dois pa\u00edses, reconhecendo as Ilhas Can\u00e1rias como territ\u00f3rio de Castela e, abaixo delas, na longitude 26\u00b0 Norte, como territ\u00f3rio de Portugal, incluindo as terras conquistadas no Reino de Fez e os arquip\u00e9lagos atl\u00e2nticos, Madeira, A\u00e7ores e Cabo Verde. (E SILVA, 2006)<\/p>\n<h3 style=\"text-align: left\">Hist\u00f3ria Continental<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">Os dados oficiais apontam a chegada do navegante genov\u00eas Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, a servi\u00e7o da Coroa de Castela e sua Rainha Cat\u00f3lica Isabel, em 12 de outubro de 1492, como o \u201cdescobrimento da Am\u00e9rica\u201d, o local avistado \u201cera o ilh\u00e9u de Guanahani, depois designado por S\u00e3o Salvador, cuja identifica\u00e7\u00e3o ainda hoje \u00e9 objecto de debate por parte dos historiadores (Fig. 6). A partir da\u00ed, Colombo percorreu o arquip\u00e9lago das Bahamas e as ilhas de Cuba e do Haiti\u201d (National Geographic Portugal, 2020).<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">De acordo com Ab\u2019Saber (2020), ao receber em primeira m\u00e3o a not\u00edcia das descobertas de Colombo, que fez parada em Lisboa em 15 de mar\u00e7o de 1493 a caminho de Castela, o Rei D. Jo\u00e3o II de Portugal, filho de D. Afonso V, convenceu-se de que tais ilhas descobertas eram suas por direito, devido a sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica estar abaixo da linha tra\u00e7ada pelo Tratado de Alc\u00e1\u00e7ovas- Toledo, e considerou enviar uma expedi\u00e7\u00e3o ao mesmo local.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Entretanto, tal expedi\u00e7\u00e3o portuguesa n\u00e3o ocorreu e, segundo o Hispanic Council (2022), os Reis de Castela e Arag\u00e3o recorreram ao Papa Alexandre VI, seu aliado pr\u00e9vio, que prontamente expediu, entre maio e setembro de 1493, as Bulas Alexandrinas, atrav\u00e9s das quais \u201coutorgou a Castela o direito de explorar as Am\u00e9ricas, reclamar como pr\u00f3prios os territ\u00f3rios descobertos e mandar homens ali com a miss\u00e3o de evangelizar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Os quatro documentos que comp\u00f5em as Bulas Alexandrinas tamb\u00e9m confirmam a posse dos territ\u00f3rios conquistados por Castela na \u00cdndia, dos territ\u00f3rios conquistados por Portugal na \u00c1frica e estabelecem um meridiano dividindo os territ\u00f3rios encontrados nas Am\u00e9ricas (Fig. 7), localizado a 100 l\u00e9guas da Ilha de A\u00e7ores, no qual as terras \u00e0 direita do meridiano pertenceriam a Portugal, e as \u00e0 esquerda, a Castela. (HISPANIC COUNCIL, 2022)<\/p>\n<h6>Figura 1 &#8211; Linha do tempo de acordo com a periodiza\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da hist\u00f3ria<\/h6>\n<h6>Fonte: Ensinando Hist\u00f3ria. Dispon\u00edvel em:<\/h6>\n<h6><a href=\"https:\/\/ensinandohistoria7.blogspot.com\/2015\/02\/historia-7-ano-blog-destinado-aos.html\">&lt;https:\/\/ensinandohistoria7.blogspot.com\/2015\/02\/historia-7-ano-blog-destinado-aos.html.&gt; <\/a>Acesso em: 20 de maio de 2023<\/h6>\n<h6>Figura 2 &#8211; Linha do tempo situando a funda\u00e7\u00e3o do Forte Nossa Senhora dos Prazeres do Iguatemi na hist\u00f3ria brasileira<\/h6>\n<h6>Fonte: Educa\u00e7\u00e3o Brasileira. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/educacaobrasileirapormarjorie.blogspot.com\/2011\/09\/linha-do-tempo-colonia-imperio.html\">https:\/\/educacaobrasileirapormarjorie.blogspot.com\/2011\/09\/linha-do-tempo-colonia-<\/a> <a href=\"https:\/\/educacaobrasileirapormarjorie.blogspot.com\/2011\/09\/linha-do-tempo-colonia-imperio.html\">imperio.html. <\/a>Acesso em 23 de maio de 2023<\/h6>\n<h6>Figura 3 &#8211; Configura\u00e7\u00e3o territorial Ib\u00e9rica do final do s\u00e9culo XV<\/h6>\n<h6>Fonte: Wikimedia, 2010. Dispon\u00edvel em:<\/h6>\n<h6>&lt;<a href=\"https:\/\/commons.wikimedia.org\/w\/index.php?curid=6179924\">https:\/\/commons.wikimedia.org\/w\/index.php?curid=6179924&gt;.\u00a0 Acesso em: 20 de abr. de 2023.<\/a><\/h6>\n<h6>Figura 4 &#8211; Localiza\u00e7\u00e3o da cidade de Ceuta<\/h6>\n<h6>Fonte: Wikimedia, 2009. Dispon\u00edvel em:<\/h6>\n<h6>&lt; https:\/\/commons.wikimedia.org\/wiki\/File:Localizaci%C3%B3n_de_Ceuta.svg\u00a0&gt; . Acesso em: 20 de abr. de 2023.<\/h6>\n<h6>Figura 5 &#8211; Linha proposta pelo Tratado de Alc\u00e1\u00e7ovas de 1479<\/h6>\n<h6>Fonte: Bibliotecas Especializadas de Zamora, 2011. Dispon\u00edvel em:<\/h6>\n<h6>&lt;<a href=\"http:\/\/bibliotecasespecializadasdezamora.blogspot.com\/2011\/01\/el-tratado-de-tordesillas.html\">http:\/\/bibliotecasespecializadasdezamora.blogspot.com\/2011\/01\/el-tratado-de-<\/a> <a href=\"http:\/\/bibliotecasespecializadasdezamora.blogspot.com\/2011\/01\/el-tratado-de-tordesillas.html\">tordesillas.html<\/a>&gt;. Acesso em: 20 de abr. de 2023.<\/h6>\n<h6>Figura 6 &#8211; Viagens de Colombo<\/h6>\n<h6>Fonte: National Geographic Portugal, 2020.c Dispon\u00edvel em:<\/h6>\n<h6>&lt;<a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.pt\/historia\/grandes-reportagens\/1589-cristovao-colombo-o-%20navegador\">https:\/\/nationalgeographic.pt\/historia\/grandes-reportagens\/1589-cristovao-colombo-o- navegador<\/a>&gt;. Acesso em: 20 de abr. de 2023.<\/h6>\n<h6>Figura 7 &#8211; Meridiano estabelecido pela Bula <em>Inter caetera<\/em>, 1493<\/h6>\n<h6>Fonte: D\u00edaz Villanueva, s\/d. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/diazvillanueva.com\/tordesillas-reparto-del-mundo\/tratado-de-tordesillas-mapa\/\">https:\/\/diazvillanueva.com\/tordesillas-reparto-del-<\/a> <a href=\"https:\/\/diazvillanueva.com\/tordesillas-reparto-del-mundo\/tratado-de-tordesillas-mapa\/\">mundo\/tratado-de-tordesillas-mapa\/<\/a>&gt;. Acesso em: 26 de mai. de 2023.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[slideshow_deploy id=&#8217;156&#8242;] &nbsp; A hist\u00f3ria mundial \u00e9 uma narrativa complexa e abrangente que abarca milhares de anos de desenvolvimento humano. Desde os prim\u00f3rdios da civiliza\u00e7\u00e3o at\u00e9 os tempos modernos, uma s\u00e9rie de eventos moldou o curso da humanidade. 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