{"id":232,"date":"2023-07-17T21:13:43","date_gmt":"2023-07-18T01:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/?page_id=232"},"modified":"2023-07-17T21:15:28","modified_gmt":"2023-07-18T01:15:28","slug":"contexto-historico-regional","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/contexto-historico-regional\/","title":{"rendered":"CONTEXTO HIST\u00d3RICO REGIONAL"},"content":{"rendered":"<h3>[slideshow_deploy id=&#8217;234&#8242;]<\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3>Hist\u00f3ria regional<\/h3>\n<p>As ra\u00edzes da Guerra do Paraguai, que remontam a uma hist\u00f3ria de rivalidades e malqueren\u00e7as entre Brasil e Paraguai que se estendia por mais de tr\u00eas s\u00e9culos, principalmente relacionadas \u00e0 quest\u00e3o de limites que Portugal e Espanha n\u00e3o conseguiram resolver. O abandono da regi\u00e3o sudoeste do Mato Grosso ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o do Forte de Iguatemi agravou a situa\u00e7\u00e3o. Em 1864, o governo paraguaio aprisionou o Vapor Marques de Olinda, levando ao rompimento das rela\u00e7\u00f5es com o Brasil e \u00e0 invas\u00e3o do Mato Grosso pelo Paraguai. Seis meses depois, foi assinado o Tratado da Tr\u00edplice Alian\u00e7a, pelo qual Brasil, Argentina e Uruguai uniram-se contra o Paraguai. A guerra durou quase seis anos e terminou com a morte de Solano Lopes. O Tratado de Paz e Amizade Perp\u00e9tua e de Limites entre Brasil e Paraguai s\u00f3 foi assinado em 1872. (SOBRINHO, 2009).<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo em que o Tratado de Madrid estava em vigor, as comiss\u00f5es de limites n\u00e3o conseguiram chegar a um acordo sobre a localiza\u00e7\u00e3o do Rio Igurei, que deveria fixar a fronteira entre Paraguai e Brasil. Felix de Azara, Chefe da Comiss\u00e3o Demarcadora da fronteira estabelecida pelo Tratado de Santo Ildefonso, sugeriu que o verdadeiro nome do rio Ivinhema seria Yaguarey, nome de origem guarani de onde foram retiradas as duas vogais &#8220;a&#8221;, ficando Igurey. Isso gerou diverg\u00eancias entre a subcomiss\u00e3o portuguesa e a hip\u00f3tese foi rebatida com forte argumenta\u00e7\u00e3o pelo governador da Capitania que integrava a subcomiss\u00e3o portuguesa. (SOBRINHO, 2009).<\/p>\n<p>Os desacordos entre as comiss\u00f5es de limites tornaram a tarefa de demarca\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e sem sucesso. Ap\u00f3s a Guerra do Paraguai, foi criada a Comiss\u00e3o Mista de Limites Brasil\/Paraguai para tra\u00e7ar a linha de fronteira entre os dois pa\u00edses, e o Brasil cedeu ao Paraguai a parte onde o Rio Igurei era ponto de refer\u00eancia, do lado direito do Rio Paran\u00e1, passando a ser esse ponto o Salto Grande do Sete Quedas. Os trabalhos de demarca\u00e7\u00e3o foram iniciados em 1872, e a equipe do Brasil foi coordenada pelo Visconde de Maracaj\u00fa. (SOBRINHO, 2009).<\/p>\n<p>Uma compara\u00e7\u00e3o entre os tratados de 1750 a 1872 n\u00e3o indica que a regi\u00e3o onde se localiza Amambai tenha alguma vez pertencido ao Paraguai. Desde o Tratado de Madrid, Amambai pertencia aos dom\u00ednios portugueses e brasileiros. (SOBRINHO, 2009).<\/p>\n<p>Thomaz Larangeira foi respons\u00e1vel pelo abastecimento de alimentos para os trabalhadores da Comiss\u00e3o de Limites, o que o levou a percorrer uma vasta \u00e1rea nas bacias dos rios Amambai e Iguatemi, onde descobriu grandes ervais nativos. Ap\u00f3s o t\u00e9rmino dos trabalhos da Comiss\u00e3o, ele permaneceu na regi\u00e3o e iniciou a extra\u00e7\u00e3o de erva-mate em pequena escala, utilizando os caminhos abertos pelos trabalhadores da Comiss\u00e3o. Com o sucesso do neg\u00f3cio, Larangeira buscou autoriza\u00e7\u00e3o do governo para continuar, e em 1879 apresentou uma proposta de arrendamento das terras onde se localizavam os ervais, que foi favoravelmente recebida pelo ent\u00e3o Governador da Prov\u00edncia, Rufino Galv\u00e3o, com quem trabalhou na Comiss\u00e3o de Limites (SOBRINHO, 2009).<\/p>\n<p>Em 09 de dezembro de 1882 com o Decreto no 8799 o Governo Imperial autoriza Laranjeira a colher erva-mate na Prov\u00edncia de Mato Grosso, pelo prazo de 10 anos. (SOBRINHO, 2009).<\/p>\n<p>Thomaz Larangeira obteve autoriza\u00e7\u00e3o para explorar os ervais da regi\u00e3o de Mato Grosso em 1880 e, em 1883, criou o primeiro arranchamento em Rio Verde. Com o sucesso da atividade ervateira, Larangeira prorrogou o prazo do arrendamento e aumentou a \u00e1rea de concess\u00e3o. Ele tamb\u00e9m organizou a Companhia Matte Laranjeira em 1891 para conduzir os neg\u00f3cios da erva-mate como pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n<p>A concorr\u00eancia p\u00fablica para o arrendamento dos ervais entre o Rio Iguatemi e o Paran\u00e1 foi vencida pelo Banco Rio Mato Grosso em 1893, e a \u00e1rea foi transferida para a Companhia Matte Laranjeira. A Companhia passou por uma transforma\u00e7\u00e3o em 1902 e transferiu o controle acion\u00e1rio ao capital estrangeiro com a constitui\u00e7\u00e3o da Sociedade &#8220;Larangeira Mendes &amp; Cia&#8221;. O povoamento da regi\u00e3o foi formado por ind\u00edgenas, paraguaios e sul-rio-grandenses que vieram para trabalhar nos ervais e pensar na agricultura e na posse da terra. (SOBRINHO, 2009).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Hist\u00f3ria de Paranhos<\/h3>\n<p>De acordo com estimativas recentes, a cidade de Paranhos possui uma popula\u00e7\u00e3o de aproximadamente 20.000 habitantes, configurando-se como um centro urbano de porte m\u00e9dio, com uma predomin\u00e2ncia de popula\u00e7\u00e3o rural. (IBGE, 2010).<\/p>\n<p>A economia de Paranhos \u00e9 essencialmente baseada na agricultura e na pecu\u00e1ria. A renda da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 fortemente vinculada \u00e0s atividades agropecu\u00e1rias, incluindo o cultivo de gr\u00e3os, a produ\u00e7\u00e3o leiteira e a cria\u00e7\u00e3o de gado. Al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m trabalhadores que atuam no com\u00e9rcio local e em uma variedade de servi\u00e7os. (IBGE, 2010).<\/p>\n<p>A agricultura desempenha um papel significativo na economia de Paranhos, destacando-se a produ\u00e7\u00e3o de culturas como soja, milho, mandioca e feij\u00e3o. A pecu\u00e1ria bovina tamb\u00e9m possui uma presen\u00e7a importante na regi\u00e3o, com a cria\u00e7\u00e3o de gado para corte e leite. A cidade conta com cooperativas agr\u00edcolas e agroind\u00fastrias que contribuem para o desenvolvimento econ\u00f4mico local. (PREFEITURA DE PARANHOS, 2023).<\/p>\n<p>Paranhos \u00e9 uma cidade com uma rica diversidade cultural, influenciada principalmente pela presen\u00e7a de diferentes grupos \u00e9tnicos e pela heran\u00e7a ind\u00edgena. A cultura ind\u00edgena tem uma representatividade marcante na regi\u00e3o, com destaque para a etnia Guarani-Kaiow\u00e1. Festas tradicionais, como o Tor\u00e9 (ritual ind\u00edgena) e a Festa do Pe\u00e3o de Boiadeiro, fazem parte do calend\u00e1rio cultural da cidade, enriquecendo a vida dos seus habitantes. (BARBIERO, 2018).<\/p>\n<p>A cidade de Paranhos, localizada no estado do Mato Grosso do Sul, tem uma hist\u00f3ria marcada pela ocupa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e pelo processo de coloniza\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o (BARBIERO, 2018). Antes da chegada dos colonizadores europeus, a regi\u00e3o onde hoje est\u00e1 Paranhos era habitada por diversas etnias ind\u00edgenas, com destaque para os Guarani-Kaiow\u00e1. Os ind\u00edgenas ocupavam e utilizavam o territ\u00f3rio de maneira sustent\u00e1vel, estabelecendo suas aldeias e vivendo em harmonia com a natureza. (BARBIERO, 2018).<\/p>\n<p>Com a expans\u00e3o das fronteiras do Brasil durante o per\u00edodo colonial, a regi\u00e3o passou a ser alvo de interesse dos colonizadores. A partir do s\u00e9culo XIX, a presen\u00e7a dos brancos na \u00e1rea se intensificou, com a chegada de exploradores, bandeirantes e fazendeiros em busca de terras f\u00e9rteis e recursos naturais. (BARBIERO, 2018).<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o efetiva da regi\u00e3o onde se encontra Paranhos ocorreu no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, com a instala\u00e7\u00e3o de fazendas e a abertura de estradas de acesso. A \u00e1rea foi oficialmente elevada a distrito em 1921, pertencendo ao munic\u00edpio de Ponta Por\u00e3. (BARBIERO, 2018).<\/p>\n<p>No entanto, o munic\u00edpio de Paranhos foi criado somente em 1980, desmembrando-se de Ponta Por\u00e3. O nome &#8220;Paranhos&#8221; \u00e9 uma homenagem ao pol\u00edtico brasileiro Jos\u00e9 Maria da Silva Paranhos J\u00fanior, mais conhecido como Bar\u00e3o do Rio Branco, que foi uma importante figura na diplomacia brasileira e teve participa\u00e7\u00e3o decisiva na defini\u00e7\u00e3o das fronteiras do Brasil. (BARBIERO,2018).<\/p>\n<p>Ao longo de sua hist\u00f3ria, Paranhos enfrentou desafios como conflitos territoriais, disputas pela posse de terras e quest\u00f5es relacionadas aos direitos ind\u00edgenas. A cidade preserva at\u00e9 hoje uma forte influ\u00eancia da cultura ind\u00edgena, com a presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o ativa das comunidades Guarani-Kaiow\u00e1 em suas tradi\u00e7\u00f5es e festividades. (BARBIERO ,2018).<\/p>\n<p>Atualmente, Paranhos se destaca como um munic\u00edpio agr\u00edcola e pecuarista, com uma economia baseada principalmente na agricultura de gr\u00e3os, na produ\u00e7\u00e3o de leite e na cria\u00e7\u00e3o de gado. A cidade busca conciliar o desenvolvimento econ\u00f4mico com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental e a valoriza\u00e7\u00e3o da cultura local, promovendo a inclus\u00e3o e o respeito aos direitos dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<h3>Outros acontecimentos hist\u00f3ricos<\/h3>\n<h3>Guerra do Paraguai<\/h3>\n<p>A Guerra do Paraguai foi um conflito armado ocorrido entre 1864 e 1870, envolvendo o Paraguai e uma alian\u00e7a formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai. Essa guerra \u00e9 considerada um dos maiores e mais sangrentos conflitos da hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina e n\u00e3o est\u00e1 correlacionada com o Forte Nossa Senhora dos Prazeres do Iguatemi (Fig. 22), seja no per\u00edodo da hist\u00f3ria, ou na localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do conflito (Fig. 21).<\/p>\n<p>A guerra teve in\u00edcio quando o presidente paraguaio Francisco Solano L\u00f3pez, motivado por ambi\u00e7\u00f5es territoriais e conflitos diplom\u00e1ticos, decidiu invadir o Brasil. As hostilidades se estenderam rapidamente, e o Paraguai acabou lutando contra os tr\u00eas pa\u00edses vizinhos. O conflito foi marcado por intensos combates e um alto custo humano. O Paraguai, com um ex\u00e9rcito mal equipado e com recursos limitados, enfrentou uma luta desigual contra as for\u00e7as militares da alian\u00e7a. O pa\u00eds sofreu graves perdas humanas e de infraestrutura.<\/p>\n<p>As batalhas mais not\u00e1veis da guerra incluem a Batalha de Tuiuti, a Batalha de Curupaiti e a Batalha de Cerro Cor\u00e1. Esses confrontos testemunharam estrat\u00e9gias militares avan\u00e7adas e um grande n\u00famero de baixas de ambos os lados. A guerra teve consequ\u00eancias profundas para todos os pa\u00edses envolvidos. O Paraguai, em particular, sofreu enormes perdas populacionais, com estimativas de que a maioria da popula\u00e7\u00e3o masculina adulta tenha sido morta durante o conflito. Al\u00e9m disso, o pa\u00eds enfrentou uma devasta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social que levou d\u00e9cadas para ser superada.<\/p>\n<p>O Brasil, por sua vez, consolidou sua posi\u00e7\u00e3o como pot\u00eancia regional e ampliou seu territ\u00f3rio ao conquistar \u00e1reas do Paraguai. A Argentina tamb\u00e9m obteve ganhos territoriais e o Uruguai viu seu territ\u00f3rio preservado. A Guerra do Paraguai teve impactos duradouros na hist\u00f3ria e na identidade dos pa\u00edses envolvidos. No Paraguai, o conflito \u00e9 lembrado como uma trag\u00e9dia nacional, e suas consequ\u00eancias moldaram o curso do desenvolvimento do pa\u00eds. Nos outros pa\u00edses, a guerra foi um elemento importante na consolida\u00e7\u00e3o de suas identidades nacionais e na redefini\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es regionais.<\/p>\n<p>A Guerra do Paraguai deixou um legado complexo e \u00e9 um tema de estudo e reflex\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje. Ela revela as din\u00e2micas e desafios enfrentados pelos pa\u00edses sul-americanos na busca por poder, territ\u00f3rio e identidade ao longo do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<h3>Madame Lassare<\/h3>\n<p>O conflito devastador da Guerra do Paraguai arrasou a vida de in\u00fameras pessoas, dentre as quais se encontravam in\u00fameros paraguaios, que inicialmente se apegaram a uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a sob a lideran\u00e7a do presidente Solano L\u00f3pez. Em meio ao caos e \u00e0 brutalidade da guerra, a verdadeira natureza do regime de L\u00f3pez se tornou evidente, resultando em mortes cru\u00e9is de milhares de homens e deixando um rastro de vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3os, incluindo a de muitos estrangeiros que ali viviam. Doroth\u00e9a Duprat de Lassare, mais conhecida como madame Lassare, foi uma das testemunhas dessa trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Madame Lassare era francesa e foi compelida ao ex\u00edlio como ato de vingan\u00e7a de Solano L\u00f3pez pela suposta trai\u00e7\u00e3o de seu pai, marido e irm\u00e3o. Ap\u00f3s ser resgatada por tropas brasileiras, escreveu relatos dos ocorridos e dos sofrimentos passados por ela e outras mulheres durante a marcha. Suas mem\u00f3rias oferecem um relato comovente de sobreviv\u00eancia e resili\u00eancia.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da guerra, muitos homens e mulheres se recusaram a deixar seus lares, levados pela falsa esperan\u00e7a de que o ditador Solano L\u00f3pez n\u00e3o mataria seu pr\u00f3prio povo. Entretanto, em meio \u00e0 desordem instaurada, a realidade se mostrou ser bem diferente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos milhares de homens mortos de maneira cruel por L\u00f3pez, foi criada a Comiss\u00e3o de Inqu\u00e9rito, equipe respons\u00e1vel pelas persegui\u00e7\u00f5es e assassinatos a membros da burguesia, ministros, generais e outros indiv\u00edduos acusados de trai\u00e7\u00e3o ao governo, incluindo os estrangeiros residentes no Paraguai. O c\u00f4nsul franc\u00eas Laurent Cochelet desempenhou um papel crucial na prote\u00e7\u00e3o dos estrangeiros, mas o sofrimento de Madame Lassare teve in\u00edcio ap\u00f3s sua partida de seu lar.<\/p>\n<p>Ela foi for\u00e7ada a abandonar sua casa em apenas 48 horas e se refugiar na vila de <em>Limpio<\/em> juntamente com sua fam\u00edlia. No fat\u00eddico dia 6 de julho de 1868, seu marido, D. Francisco Lassare, foi brutalmente levado pela pol\u00edcia da ditadura sob acusa\u00e7\u00e3o de trai\u00e7\u00e3o. Dias depois, seu pai e irm\u00e3o ca\u00e7ula tiveram o mesmo destino cruel, deixando Madame Lassare e sua m\u00e3e desamparadas. Embora o c\u00f4nsul tenha oferecido apoio, Madame Lassare foi enganada por ele, que constantemente afirmava que seus entes queridos estavam vivos e sendo bem tratados, para que ela continuasse a enviar encomendas de roupas e comidas aos presos de sua fam\u00edlia. No entanto, mensageiros enviados ao ex\u00e9rcito confirmaram que eles haviam sido assassinados.<\/p>\n<p>No per\u00edodo de evacua\u00e7\u00e3o de Assun\u00e7\u00e3o, nos dois \u00faltimos anos da Guerra, iniciou-se o processo de migra\u00e7\u00e3o das mulheres que possu\u00edam v\u00ednculo \u00edntimo, familiar ou pol\u00edtico com os acusados de trai\u00e7\u00e3o \u00e0 p\u00e1tria, conforme relatos de Madame Lassare:<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">Dolorosa sorpreza me aguardava, ao encontrar-me alli com uma por\u00e7\u00e3o de senhoras da melhor sociedade da capital atiradas, como eu, nos confins do paiz! \u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">A todas perguntei o que faziam naquelles desertos, que crime haviam commettido para merecer t\u00e3o cruel prova\u00e7\u00e3o, responderam que tinham sido destinadas para Ih\u00fa, que seus esposos, paise irm\u00e3os haviam desapparecido, seus bens confiscados ou arrancados sob diversos pretextos. (LASSARE, 1893, p. 47, SIC)<\/span><\/em><\/p>\n<p>As denominadas <em>\u201cdestinadas\u201d<\/em> eram encaminhadas sob escolta de soldados paraguaios pela cordilheira central que cortava o pa\u00eds em toda a sua extens\u00e3o, de modo a castig\u00e1-las com a fome e o esfor\u00e7o f\u00edsico extremo causado pelas caminhadas extensas. Foram encaminhadas para a localidade de <em>Ih\u00fa<\/em> para, posteriormente, serem concentradas em <em>Espad\u00edn<\/em>, onde sofriam das mais diversas amea\u00e7as, ataques e saques por parte dos soldados e espi\u00f5es paraguaios, de modo a aumentar o sofrimento e a escassez do acampamento, conforme relatos:<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">Os espi\u00f5es iam e vinham: invadiam as casas, roubavam mel e viveres em umas, em outras pediam com inst\u00e2ncia roupa, comida ou qualquer outra cousa que lhe apetecia e que ningu\u00e9m tinha coragem de negar com receio de ser violentada; diariamente carneavam vaccas de particulares depois de extinguirem o pouco gado das destinadas. \u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><em><span style=\"font-size: 10pt\">Por fim, em 19 de setembro, levaram todos os animaes que encontraram no districto. Dir-se-hia que os seqnazes de Lopez procuravam por todos os meios inutilisar tudo, extinguir mesmo os poucos recursos que ainda existia na villa que nos garantia a subsist\u00eancia e assim tornar mais breve o nosso martyrio. (LASSARE, 1893, p. 59-60, SIC)<\/span><\/em><\/p>\n<p>Na madrugada de 24 de dezembro de 1869, circulou na localidade a not\u00edcia de que tropas brasileiras haviam chegado ao alto da serra para resgatar as destinadas. Mesmo desconfiadas de se tratar de uma emboscada de Solano L\u00f3pez, as mulheres marcharam em dire\u00e7\u00e3o ao local. Foi quando, em 25 de dezembro, encontraram com a expedi\u00e7\u00e3o do tenente-coronel Ant\u00f4nio Jos\u00e9 de Moura, que as levaram aos postos avan\u00e7ados dos brasileiros.<\/p>\n<p>Um fato curioso ao se pensar na rela\u00e7\u00e3o de Madame Lassare com o Forte Nossa Senhora dos Prazeres do Iguatemi, objeto de estudo do presente trabalho, foi que, enquanto tentavam uma de suas fugas do campo de concentra\u00e7\u00e3o de <em>Espad\u00edn<\/em>, as destinadas se refugiaram \u201cjunto a um cerrado pr\u00f3ximo ao passo do rio Igatemi\u201d (LASSARRE, 1893).<\/p>\n<p><strong>Figura 21<\/strong> &#8211; Localiza\u00e7\u00e3o da disputa de territ\u00f3rio durante a guerra do Paraguai<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">&#8211;<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">as<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">&#8211;<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">causas<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">&#8211;<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">da<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">guerra<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">&#8211;<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">do<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">&#8211;<\/a><a href=\"https:\/\/profclaudio.wordpress.com\/2010\/01\/21\/quais-as-causas-da-guerra-do-paraguai\/\">paraguai\/<\/a> Acesso em 22 de maio de 2023<\/p>\n<p><strong>Figura 22<\/strong> &#8211; Mapa munic\u00edpio de Paranhos e localiza\u00e7\u00e3o do Forte<\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Wikipedia. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paranhos_%28Mato_Grosso_do_Sul%29\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paranhos_%28Mato_Grosso_do_Sul%29<\/a><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paranhos_%28Mato_Grosso_do_Sul%29\">.<\/a> Acesso em: 25 de maio de 2023<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[slideshow_deploy id=&#8217;234&#8242;] Hist\u00f3ria regional As ra\u00edzes da Guerra do Paraguai, que remontam a uma hist\u00f3ria de rivalidades e malqueren\u00e7as entre Brasil e Paraguai que se estendia por mais de tr\u00eas s\u00e9culos, principalmente relacionadas \u00e0 quest\u00e3o de limites que Portugal e Espanha n\u00e3o conseguiram resolver. O abandono da regi\u00e3o sudoeste do Mato Grosso ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":41708,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"coauthors":[],"class_list":["post-232","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/232","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/41708"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=232"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":241,"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/232\/revisions\/241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/forteiguatemi-faeng.ufms.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/coauthors?post=232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}